25 de janeiro de 2014

Um dia...diferente.

Era quarta-feira. 9 de outubro de 2013. Acordei cedo, como qualquer outro dia. Mas, para minha surpresa, resolvi fazer tudo diferente. Levantei da cama e, em vez de arrumá-la, logo, resolvi ir tomar banho. Meu pijama rosinha e surrado estava 'gritando' por uma máquina de lavar. Sendo assim, coloquei-o no meu cesto de roupa suja.

Liguei o chuveiro e, em vez de tomar um banho quente, resolvi lavar a alma e deixar na temperatura em que eu o liguei. Após fechar o chuveiro, lembrei que tinha esquecido a toalha na cadeira do computador. Então, fui andando nua pela casa, e vi que o vento que eu tanto sentia no corredor, e que me fazia arrepiar, vinha da janela do quarto, na qual tinha deixado aberta. Sorte minha que moro no 13º andar, tendo uma vista de prédios lindos e exuberantes, além dos carros pequeninos lá em baixo, indo e vindo, com pessoas que estavam indo para mais um dia de trabalho. Devido ao frio, resolvi fechar a janela.

Quarta-feira. Dia de saia jeans. Porém, optei por um short mais casual e uma chinelinha de dedo, além de uma regata mais soltinha. Arrumei a cama e peguei todo o meu material escolar, não esquecendo, claro, meu celular, vai que você voltaria a mandar mensagens, né!?

Sendo assim, peguei minha bolsa e lembrei que não tinha comido nada. Fui ao armário e só encontro dois pacotes de macarrões instantâneos que minha mãe tinha deixado lá na semana anterior. Então, fui na padaria da esquina, comprar aquele sonho que comprávamos juntos, lembra?

Peguei o elevador e fui andando até à esquina, aproveitei e coloquei os fones, afim de ouvir algo para relaxar. O destino é cruel; dei o play e caiu logo na nossa música. Aquela em que nos beijamos pela primeira vez. Não dei pausa ou tirei os fones; ao contrário, quis ouvi-la. Porém, ao chegar à padaria, tive que tirá-los. Fiz o pedido e, enquanto estava escolhendo algo para beber, senti o seu cheiro. Aquele seu perfume que eu te dei no seu aniversário me invadiu e eu senti borboletas nascendo na minha barriga. Até que eu ouço a sua voz:
Oi, bom dia, poderia me 'vir' aquele sonho de sempre, por favor?
Para ser bem sincera, eu não queria que você me reconhecesse. Tentei ficar o mais imóvel possível para não chamar a atenção, mas, o que eu não tinha percebido era que o rapaz do balcão ainda aguardava meu pedido, chamando a minha atenção, fazendo-me voltar a terra e pedindo ao céus para você não ter reconhecido minha voz. Mas, nem os anjos pôde fazer isso por mim. Até que você vem na minha direção e encosta a mão direita nos meus braços, fazendo-me virar para ver aqueles olhos azuis e aquele sorriso branco na minha direção. Até que eu consigo ouvir a sua voz:

Bê? Oi, como você tá? Tá indo pra faculdade? Nossa, você tá diferente. Tá mais bonita...Ainda tá morando no mesmo lugar? 
Eu não sabia se saía gritando ou se ficava ali com cara de 'retardada' para você. Mas, como uma boa garota, resolvi respondê-lo.
Oi, hum...! Sim, eu estou indo pra faculdade, sim. Desculpe, estou atrasada, tchau!
E saí, correndo, praticamente, como uma LOUCA. Chegando na esquina do quarteira seguinte, lembrei que tinha esquecido meu sonho e meu suco. Sendo assim, voltei, e, no meio do caminho, vejo você vindo na minha direção. Só o que eu penso é "Ah, não, por favor, não..." Até que sua voz me invade de novo.
Ei, apressadinha, você esqueceu seu sonho e seu suco. De laranja, né? Ainda é seu favorito? Diga que sim! 
E lá está seu sorriso de novo. Fico imóvel, mas, de repente, recupero meus sentidos, até que desparo
Ah, desculpe. Sim, é de laranja sim. hum...obrigada! 
Depois disso, ficamos ali, nos encarando, por longos cinco minutos. Até que eu, absorta nos meus pensamentos e lembranças, resolvo acordar e despejo
Hum...tenho que ir, vai ser um longo dia. Obrigada mais uma vez, tchau! 
Tchau, Bê, se cuida, tá? Qualquer dia, eu passo no teu prédio pra te visitar, certo?
Falou você, me puxando pela cintura e dando um abraço em mim. Não consegui retribuí, meu coração estava rápido demais e pedi a Deus para você não ter percebido esse detalhe. Sendo assim, cada um foi pra um lado, e, tudo o que eu queria, era esquecer esse dia, esquecer seu sorriso, seus olhos azuis, seu cheiro e seu abraço aconchegante. Esquecer! E, por favor, não apareça na minha casa. Não!

Depois de pensar e querendo esquecer esse dia, meu ônibus chegou. Ia pegando meus fones de novo, mas desisti e resolvi pegar meu livro de Sociologia Básica. O resto do meu dia foi como os outros, mas, mesmo assim, ajudou a esquecer tudo o que ocorreu naquela manhã.

Laris Carneiro

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