21 de novembro de 2017

Seis anos sem o amor da minha vida


Há exatos seis anos, eu perdi o maior amor que eu tinha nessa vida. Vi meu mundo desabar, da noite para o dia, e tive de enfrentar os piores dias, após eu perder meu pai para o câncer. Foram épocas difíceis, eu tive de, apenas com 16 anos, parar de ser a adolescente que eu costumava ser, e passar a agir como mulher e dar todo amparo à minha mãe que, naquele momento, virou prioridade.

Além disso, eu fiquei com raiva de Deus, por levar uma pessoa tão boa para longe de mim. Parei de orar, parei de ir às missas, parei de acreditar.

Com o tempo, entendi e compreendi a necessidade do meu pai partir. Deus poupou o sofrimento dele, perante uma doença tão cruel. O maior sofrimento do meu pai, eu imagino, foi ele saber que chegava a hora dele partir e ter de nos deixar. No entanto, ele nunca partiu. Ele está por aqui, sempre. À cada memória. À cada foto. À cada cômodo da casa.

Hoje, lembro dele com sorrisos no rosto e o coração cheio de saudade. Saudade da voz, do cheiro, do abraço, da risada. Saudade dos esporros. Saudade do bom dia. Saudade até do silêncio dele. Saudade de assistir jogos juntos, ele, com toda a paciência do mundo, de me explicar o que era um impendimento. Saudade de observá-lo fazendo caça-palavras. Saudade de observá-lo sentado, com o seu rádio do lado e completamento a tabela do Campeonato Brasileiro. É impressionante que, mesmo com o passar dos anos, eu ainda tenho memórias vivas na minha mente, como se todas tivessem ocorrido ontem.

E, apesar de toda essa ausência, da partida repentina e da dor sofrida, eu levo a morte do meu pai como um crescimento, em que, agora, ele não está comigo de corpo, mas sim de alma. E a saudade vai sempre permanecer comigo, até o dia em que Deus resolver me levar. Eu tenho em mente que eu não vou passar por época mais complicada e que eu sou forte para aguentar qualquer coisa que vier, já que, pela mais difícil, eu já passei.

Há seis anos, eu perdi o amor da minha vida para o câncer, e ele veio morar no meu coração e na minha memória.

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