23 de maio de 2018

Sobre seguir em frente e não olhar para trás



Estava anoitecendo. Era por voltar das cinco e meia da tarde. Mal se via a luz do sol nesse horário, o que fazia parecer mais tarde. Estava na varada. Sentada, naquela cadeira em que compramos juntos numa lojinha de usados da Rua 8, observando as pessoas lá em baixo, caminhando. Na mente delas, elas nem imaginam a confusão em que a minha vida virou depois que você foi embora.

Parecia em que, a cada soprada de vento, o cheiro do seu perfume me inalava, mas eu acho que era só saudade. Saudade desse mesmo cheiro grudado no travesseiro ou na toalha ou até mesmo no sofá.

O céu indicava que ia chover. As nuvens pareciam pesadas e, com isso, mais lembranças invadiam a minha mente. O nosso ritual de dias chuvosos: filmes preto e branco, uma manta bem fofinha e um chocolate quente. Assim como todo o resto, isto não em pertencia mais e eu tinha de lidar com essa mudança.

Ao passo em que isso inundou a minha memória, ouvi a buzina de um carro lá em baixo. Aparentemente, por culpa de um motociclista, e, mais uma vez, veio mais lembranças suas, o que me fez acordar e, rapidamente, expulsar tudo aquilo da minha cabeça.

Voltei para dentro de casa. Coloquei um filme, não em preto e branco como costumávamos fazer, mais um colorido e de muita comédia, para que todas as suas lembranças fossem embora (ou seria para ouvir o som da minha própria risada?). Fiz um balde de pipoca, e, lá fora, a chuva começava a cair.

Aos poucos, fui criando um novo ritual. Um ritual para quando eu estivesse na minha própria companhia. Um ritual para quando eu tivesse o privilégio de me ter, um ritual só meu, um ritual sobr seguir em frente, quebrar algumas barreiras e não olhar para trás, rumar para um novo caminho e sem arrependimento nenhum, um ritual para quebrar outros rituais, um ritual para chamar de meu!


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